cover
Tocando Agora:

Ação contra Maduro é recado de Trump para China, diz autora de livro sobre Doutrina Monroe

EUA prenderam Nicolás Maduro, que foi levado aos EUA para ser julgado. Getty Images via BBC A América Latina é um mero quintal dos Estados Unidos, que têm t...

Ação contra Maduro é recado de Trump para China, diz autora de livro sobre Doutrina Monroe
Ação contra Maduro é recado de Trump para China, diz autora de livro sobre Doutrina Monroe (Foto: Reprodução)

EUA prenderam Nicolás Maduro, que foi levado aos EUA para ser julgado. Getty Images via BBC A América Latina é um mero quintal dos Estados Unidos, que têm todo poder para determinar os rumos dos países da região conforme seus próprios interesses? Esse é um dos temas de estudo da acadêmica e jornalista britânica Grace Livingstone, autora do livro America's Backyard: The United States and Latin America from the Monroe Doctrine to the War on Terror ("O Quintal da América: Os EUA e a América Latina, da Doutrina Monroe à Guerra ao Terror", em tradução livre). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A Doutrina Monroe, criada em 1823 durante o governo do presidente americano James Monroe (1758-1831), afirmava que qualquer intervenção de potências europeias no hemisfério ocidental seria vista pelos EUA como uma ameaça direta à sua segurança. No início do século 20, a ideia foi resgatada pelo presidente Theodore Roosevelt (1858-1919), que disse que os EUA poderiam intervir em países da região para estabilizar governos considerados incapazes de cumprir obrigações internacionais. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O "corolário Roosevelt", como ficou conhecido, colocava em prática uma das máximas do presidente: "fale com suavidade e tenha à mão um grande porrete, assim você irá longe". A ação do governo de Donald Trump na Venezuela na semana passada — com bombardeio à Caracas e prisão de Nicolás Maduro — revelou ao mundo uma nova faceta da Doutrina Monroe, ou o que Livingstone e outros analistas chamam de uma espécie de "corolário Trump". Alguns também falam em "Doutrina Donroe", uma combinação dos nomes Donald e Monroe. O próprio governo Trump citou a Doutrina Monroe em sua Estratégia de Segurança Nacional publicada em dezembro. Mas essa nova Doutrina Monroe perseguida por Trump é diferente do que se viu no passado, afirma Livingstone. "Os EUA abandonaram qualquer pretensão de que isso tenha sido feito pelo bem da democracia", afirma em entrevista à BBC News Brasil a acadêmica britânica, que é ligada ao Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. "Até mesmo o corolário Roosevelt dizia que os EUA desempenhariam, se necessário, o papel de uma força policial internacional. [A ação na Venezuela] não tem nada a ver com defender o Estado de Direito ou o sistema internacional", diz Livingstone. "É uma defesa direta dos interesses dos EUA, para controle de recursos e dos interesses das empresas americanas. É muito mais explícito." LEIA TAMBÉM: Maduro capturado: entenda a semana que virou a Venezuela de cabeça para baixo e o que esperar daqui pra frente Os mistérios que ainda persistem em torno da operação de inteligência que prendeu Maduro Invasão dos EUA na Venezuela abre precedente para China também exercer força militar; entenda Na segunda-feira (5/1), enquanto Maduro comparecia a um tribunal em Nova York onde está sendo acusado de supostas ligações com o narcotráfico, o departamento de Estado dos EUA publicou no X (antigo Twitter) uma mensagem com uma foto de Trump que remete à Doutrina Monroe. A postagem afirma: "Este é o NOSSO hemisfério, e o Presidente Trump não permitirá que nossa segurança seja ameaçada." "Este é o NOSSO hemisfério, e o Presidente Trump não permitirá que nossa segurança seja ameaçada", diz a postagem do departamento de Estado dos EUA Reprodução/X via BBC Outra distinção importante, segundo Livingstone, na nova Doutrina Monroe é o alvo da mensagem americana: enquanto no passado o recado era para potências europeias, que haviam colonizado a América Latina, desta vez o "concorrente não hemisférico" é a China — cujo crescimento econômico se baseia em parte nos seus investimentos feitos na região. "A China é uma das maiores preocupações de segurança do governo Trump. Eles veem a China como a maior ameaça e o maior concorrente", diz Livingstone. "Esta é uma mensagem muito clara de que eles querem a China fora de sua esfera de influência." No entanto, ela acredita que nem todos os aspectos desse corolário Trump estão completamente definidos. Em parte, por haver diferentes visões sobre a América Latina dentro do próprio governo Trump. Livingstone diz que o secretário de Estado, Marco Rubio, possui uma agenda mais ideológica para a região, com ambições de mudanças de regime em lugares como Venezuela, Nicarágua e Cuba. Já o próprio presidente Trump teria interesses mais transacionais e econômicos — e seu objetivo maior seria abrir mercado para empresas americanas, aceitando negociar com governos de diferentes ideologias. Confira abaixo os principais trechos da entrevista de Grace Livingstone à BBC News Brasil. LEIA TAMBÉM: 'Depois da Venezuela, Trump vai tentar influenciar eleições no Brasil, mas pode prejudicar a direita', diz especialista americano Os 'chefes do poder': após Venezuela, temos uma nova ordem mundial? Trump quer comprar a Groenlândia: um país pode adquirir o território de outro país? BBC News Brasil - O que aconteceu na Venezuela é uma nova versão da Doutrina Monroe, sob Trump? Grace Livingstone - Eu definitivamente acho que é uma reafirmação da Doutrina Monroe. Eles deixaram isso bem claro. A nova estratégia é uma espécie de afirmação explícita do poder dos EUA na região. Pode-se chamar de imperialismo. Existe a disposição de usar a força militar dos EUA ou quaisquer meios necessários para afirmar os interesses dos EUA, como o controle de recursos estratégicos. E aparentemente eles estão tentando garantir que haja governos amigáveis ​​ou complacentes na região. O governo Trump publicou sua estratégia de segurança nacional, e é exatamente isso que ela diz: que os EUA querem afirmar e fazer cumprir a Doutrina Monroe para, abre aspas, "restaurar a preeminência americana no hemisfério ocidental". E diz que "negaremos aos concorrentes não-hemisféricos a capacidade de possuir ou controlar ativos estrategicamente vitais". É realmente uma reafirmação da Doutrina Monroe. E eles dizem especificamente que há um corolário Trump. E isso é interessante porque a Doutrina Monroe, originalmente em 1823, era essencialmente uma postura defensiva, alertando as potências europeias para ficarem fora do hemisfério. Ela foi atualizada por Theodore Roosevelt no início do século 20 para defender especificamente a intervenção militar dos EUA na América Latina quando julgasse necessário. E isso ficou conhecido como corolário Roosevelt. E agora temos o corolário Trump, com essa declaração de segurança nacional. Então, acho que é realmente um indício de que há uma disposição para intervir militarmente e por outros meios para pressionar os governos latino-americanos a seguirem a linha dos EUA. Theodore Roosevelt dizia sobre diplomacia: "Fale com suavidade e tenha à mão um grande porrete, assim você irá longe". Getty Images via BBC BBC News Brasil - O que é este "corolário Trump"? Como ele é diferente das diferentes formas de Doutrina Monroe que vimos no passado? Livingstone - O que eu acho que é sem precedentes neste ataque à Venezuela, que se relaciona com a Doutrina Monroe, é que não vimos invasões americanas da América do Sul. No século 20 vimos repetidas intervenções militares na América Central e no Caribe. Na Nicarágua, Honduras, República Dominicana, Cuba, Panamá... [Na América do Sul], só vimos os EUA trabalhando junto com militares latino-americanos. Eles apoiaram o golpe no Chile ou as forças especiais trabalharam com a Colômbia em operações de contra-insurgência. Mas não se viu invasões de fuzileiros navais ou forças americanas em países sul-americanos. O que foi sem precedentes na Venezuela — principalmente porque eles não parecem ter conseguido o apoio dos militares ou dividir os militares, acho que essa foi a tática deles na Venezuela e falhou por vários motivos — é esse bombardeio de um território sul-americano. Também acho que os EUA abandonaram qualquer pretensão de que isso tenha sido feito pelo bem da democracia. Até mesmo o corolário Roosevelt dizia que os EUA desempenhariam, se necessário, o papel de uma força policial internacional. [A ação na Venezuela] não tem nada a ver com defender o Estado de Direito ou o sistema internacional. É uma defesa direta dos interesses dos EUA, para controle de recursos e dos interesses das empresas americanas. É muito mais explícito. Acho que existem interesses diferentes no governo dos EUA. Por exemplo, Marco Rubio é muito mais ideológico. Ele é um neoconservador, e acho que ele queria muito uma mudança de regime na Venezuela, e depois em Cuba e na Nicarágua. Já Donald Trump é muito mais transacional e menos ideológico. BBC News Brasil - Podemos esperar outros tipos de intervenção dentro dessa nova doutrina Trump para a América Latina em diferentes países? Livingstone - Donald Trump chegou a dizer ao presidente da Colômbia para tomar cuidado. Os EUA já ameaçaram o presidente da Colômbia. Eles indicaram que poderiam ir a Cuba em seguida. Marco Rubio sempre teve muito interesse em mudanças de regime na Nicarágua. Então essa é uma possibilidade. Trump gosta muito de usar linguagem ameaçadora. Existe uma teoria de política externa chamada teoria do louco, que é quando você age de uma maneira bastante imprevisível para desestabilizar seus oponentes. Acho que ele faz isso. Ele ameaça e você nunca tem certeza se é bravata ou se a ameaça vai se concretizar. Na Argentina, houve uma clara intervenção antes das eleições que ajudou [o presidente argentino Javier] Milei. Ameaça de ação militar dos EUA contra a Colômbia é 'real', diz presidente do país à BBC Por que interessa a Trump resgatar agora o governo Milei na Argentina 'Depois da Venezuela, Trump vai tentar influenciar eleições no Brasil, mas pode prejudicar a direita', diz especialista americano Se você for analisar os detalhes da economia argentina, isso seria algo bastante arriscado, porque o peso está artificialmente desvalorizado e Donald Trump está usando dinheiro do Tesouro basicamente para subornar os eleitores na Argentina. Agora haverá as eleições no Brasil. Eu não acho que haja qualquer possibilidade de intervenção militar no Brasil. Mas Donald Trump se manifestou a favor de Bolsonaro, impôs sanções a juízes e ameaçou o país com tarifas. Então, com esse tipo de ação e pressão econômica, é possível prever que haverá algum tipo de interferência nas eleições brasileiras. Com o filho de Bolsonaro [Flavio Bolsonaro] entrando na disputa, é bem possível que Donald Trump o apoie. Livingstone acredita que governo Trump pode apoiar Flavio Bolsonaro na eleição presidencial brasileira. Getty Images via BBC BBC News Brasil - Como os países sul-americanos podem lidar com essa nova "Doutrina Donroe"? Eles têm algum poder para combatê-la ou simplesmente precisam aceitar o que vem dos EUA? Até agora a única resposta desses países foram palavras — não houve nenhuma ação. Livingstone - Sendo justa, eles denunciaram isso como uma violação do direito internacional e exigiram que o Conselho de Segurança da ONU se reunisse. Então, as palavras tiveram algum efeito. Donald Trump tem uma política de dividir para governar, tentando isolar países e pressioná-los individualmente. Então, a melhor coisa que os países latino-americanos poderiam fazer é trabalhar juntos. Mas o problema é que existe uma polarização ideológica muito forte na América Latina e certamente alguns da direita dos EUA — pessoas como Steve Bannon e a Conferência de Ação Política Conservadora [CPAC, uma coalizão de forças conservadoras de direita dos EUA] — estão interessados ​​em construir essa aliança de direita. Eles realizaram essas conferências que contaram com a presença de Milei, [do presidente eleito do Chile, José Antonio] Kast, [do presidente de El Salvador Nayib] Bukele e Bolsonaro. E Donald Trump firmou os primeiros acordos comerciais com esses países de direita, Argentina e El Salvador. Não que eles tenham sido aprovados ainda. Mesmo esses acordos comerciais são muito transacionais, visando principalmente manter a China fora do hemisfério. Então é difícil para toda a América do Sul se unir, porque existem essas divisões e pessoas como Milei aplaudem as ações dos EUA na Venezuela. Já [o presidente da Colômbia, Gustavo] Petro e Lula são muito críticos. O governo Trump diz ter como objetivo restaurar a preeminência americana no Hemisfério Ocidental e colocar os interesses dos EUA acima de qualquer outro país. E está mais disposto a trabalhar com esses países de direita e fazer favores para eles. BBC News Brasil - Os EUA estão alegando que a base para a remoção de Maduro foi o tráfico de drogas, mas muito se fala que o petróleo é o principal interesse dos EUA na Venezuela. Qual o interesse real dos EUA na Venezuela ou mesmo na região para assumirem riscos tão altos com essa ação contra Maduro? Livingstone - Em primeiro lugar, acho que não são críveis essas alegações que eles estão fazendo sobre a Venezuela ser um centro de tráfico de drogas ou o governo venezuelano estar à frente de um cartel de drogas. Se você olhar as evidências do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime e dados de agências do governo dos EUA mostram que a Venezuela não produz cocaína, não produz fentanil. E a maior parte da cocaína que chega aos EUA passa pelo Pacífico, não pela Venezuela ou pelo Caribe. O próprio Donald Trump deixou muito claro que seu principal interesse é o petróleo. A Venezuela tem as maiores reservas potenciais do mundo, e ele deixou claro que quer que as empresas americanas possam entrar no país e ter livre acesso a isso. Acho que existem alguns interesses diferentes dentro do governo. Marco Rubio é um pouco mais ideológico e está mais interessado em mudança de regime, enquanto Donald Trump quer principalmente governos que façam o que ele diz. Eu acho que ele está muito interessado em mostrar que é um homem forte e que vence cada batalha bilateral. Ele sente que venceu porque conseguiu [prender] Maduro. E, na verdade, não acho que Donald Trump esteja tão interessado em quem está no poder enquanto as empresas americanas tiverem acesso ao petróleo. É interessante que ele se refere ao "nosso petróleo", quando é claro que o petróleo é da Venezuela. BBC News Brasil - Essa ação contra Maduro é uma mensagem para a China? A Doutrina Monroe tinha como objetivo evitar interferências de potências nas Américas e a China é hoje um dos países mais influentes na região. Livingstone - Sem dúvida. A China é a principal preocupação deles. É disso que se trata essa reafirmação da Doutrina Monroe. Eles dizem que vão negar aos concorrentes não hemisféricos a capacidade de possuir ou controlar ativos estratégicos. Tudo se resume a manter outras potências longe. A China é uma das maiores preocupações de segurança do governo Trump. Eles veem a China como a maior ameaça e o maior concorrente. E esta é uma mensagem muito clara de que eles querem a China fora de sua esfera de influência. E isso fica claro em toda a sua nova estratégia de segurança nacional. E a Rússia e qualquer outra potência estrangeira. China é vista como um dos parceiros mais influentes da Venezuela. Getty Images via BBC BBC News Brasil - O que se pode esperar de resposta da China? Livingstone - Eu não sou especialista em China, então eu não gostaria de especular muito. Na América Latina, a China tenta evitar conflitos, mas aumentou sua influência econômica investindo na região, oferecendo empréstimos e aumentando massivamente o comércio. Obviamente, eles condenaram essa intervenção na Venezuela, mas eu não vejo imediatamente nenhum tipo de confronto direto. [A relação com a América Latina] tem sido muito benéfica para a China, porque ela compra muitas de suas matérias-primas que ajudam a impulsionar o enorme crescimento econômico na China. É do seu interesse manter relações econômicas com a América Latina, mas obviamente a China não quer um confronto direto com o governo Trump. BBC News Brasil - E como você acha que toda essa situação com a Venezuela vai ser vista por eleitores latino-americanos? Este ano haverá eleições no Brasil. Para parte dos eleitores, Maduro é um exemplo do que pode dar errado na economia se a esquerda se perpetua no poder. Já para outros eleitores, essa ação americana é um exemplo do mal que o imperialismo americano pode causar à região. Livingstone - Acho que isso depende em parte do que acontecer na Venezuela. Não está muito claro o que vai acontecer, porque os EUA afirmam que vão governar a Venezuela. Mas a maioria dos ministros segue em seus cargos e a vice-presidente já tomou posse. No momento eles estão tentando pressionar o governo atual a cooperar e dar aos EUA mais acesso a melhores condições em termos de extração de petróleo. Mas se o conflito se intensificar lá... a Venezuela tem um grande exército, alega ter mais de um milhão de milicianos civis, com dezenas de milhares de civis armados, uma fronteira com a Colômbia com milhares de guerrilheiros armados de esquerda. Existe um potencial para que isso possa ser um longo e prolongado período de violência que poderia se espalhar para os países vizinhos. É difícil dizer o que todos os eleitores vão pensar. Eu acho que para os eleitores, independentemente do que eles pensem a respeito de Nicolás Maduro, é bastante chocante que os EUA possam invadir um Estado soberano, bombardear a capital e remover seu presidente. Eu acho que isso pode deixar todos os eleitores bastante inquietos e desconfortáveis. E não está imediatamente claro como isso afetaria uma eleição. BBC News Brasil - Sobre o futuro da Venezuela, o que pode acontecer agora? Qualquer cenário parece plausível neste momento, desde escalada de violência a uma negociação para uma transição mais pacífica. Livingstone - O que está claro é que, até agora, os militares venezuelanos estão apoiando o governo chavista [de Maduro e Delcy Rodríguez]. Os EUA não conseguiram dividir os militares. Eu acho que o futuro dependerá das exigências que os EUA impuserem ao atual governo, porque vimos que Delcy Rodríguez inicialmente dizia que "não seremos uma colônia", "não seremos escravos" e conclamava as pessoas a defenderem a Venezuela. Uma resposta mais nacionalista. E agora ela suavizou um pouco o tom e disse que estão dispostos a trabalhar juntos com os EUA para o desenvolvimento. A questão é se haverá eleições na Venezuela. Segundo a lei venezuelana, deve haver eleições em 30 dias se o presidente sair de forma permanente. Se a ausência do presidente for temporária, o prazo poderia ser de 180 dias. Precisamos ver se haverá eleições e se elas serão livres e justas. É um pouco difícil de prever. Existe esse risco de conflito. Uma das coisas que manteve o regime ou o governo na Venezuela bastante coeso e com o apoio dos militares é justamente porque Donald Trump continua acusando os líderes militares de serem traficantes de drogas. Então eles também temem ser indiciados e extraditados para os EUA, e por isso não querem que o governo caia. Eles não querem perder o poder. Essa tem sido uma das principais razões pela qual eles se uniram dessa forma. E eles vão se agarrar ao poder a menos que haja garantias de que não serão julgados e não serão algemados como Maduro.