Agência da ONU pede investigação de governo Trump por tratamento a imigrantes: 'Abusos rotineiros e famílias destruídas'
Criança de 5 anos é detida pela imigração nos EUA O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, pediu nesta sexta-feira (23) que o governo Trump garanta...
Criança de 5 anos é detida pela imigração nos EUA O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, pediu nesta sexta-feira (23) que o governo Trump garanta que suas políticas migratórias respeitem os direitos individuais e o direito internacional, citando preocupações com prisões e detenções arbitrárias e ilegais. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Türk falou em "abusos rotineiros" das autoridades norte-americanas contra migrantes e refugiados, e pediu que Washington "encerre práticas que estão destruindo famílias". Ele também condenou a "representação desumanizante e o tratamento prejudicial a migrantes e refugiados". “Indivíduos estão sendo vigiados e detidos, às vezes de forma violenta, inclusive em hospitais, igrejas, mesquitas, tribunais, mercados, escolas e até dentro de suas próprias casas, muitas vezes apenas sob a simples suspeita de serem migrantes sem documentação”, afirmou em comunicado o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk. "Estou estupefato com os abusos agora rotineiros contra migrantes e refugiados, e a difamação que sofrem", completou Türk. Na terça-feira (20), um menino de 5 anos foi detido por agentes de imigração, durante uma operação em Minneapolis, e teria sido usado como “isca” para verificar a presença de outras pessoas em uma casa, segundo autoridades educacionais da cidade. Identificado como Liam Conejo Ramos, o menino foi abordado com o pai, Adrian Alexander Conejo Arias, na porta de casa, quando voltava da escola. Ambos foram levados para um centro de detenção no Texas, segundo o advogado da família. LEIA TAMBÉM: Agentes de imigração dos EUA detêm criança de 5 anos e a usam como 'isca', diz autoridade Liam Conejo Ramos, de 5 anos, é detido por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) após chegar em casa da pré-escola, na terça-feira, 20 de janeiro de 2026 Ali Daniels via AP A repressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à imigração mobilizou cerca de 3 mil agentes federais fortemente armados e mascarados para a cidade de Minneapolis, que estão prendendo suspeitos que, segundo as autoridades, são infratores perigosos das leis de imigração, mas que, por vezes, acabam detendo também cidadãos americanos e imigrantes que cumprem a lei. A cidade está em clima de tensão após um agente de imigração ter atirado e matado Renee Good, de 37 anos, cidadã americana e mãe de três filhos, em 7 de janeiro. O vice-presidente JD Vance fez uma defesa ampla das ações na quinta-feira, afirmando que “agitadores da extrema esquerda” e autoridades locais que não cooperam são os responsáveis pelo caos nas ruas. As operações de fiscalização migratória dos EUA têm usado o que parece ser força desnecessária ou desproporcional, disse Türk. Segundo ele, esse tipo de medida só deveria ser adotado como último recurso, caso a pessoa representasse uma ameaça imediata à vida. Türk afirmou que os Estados Unidos devem cumprir o direito internacional e que a aplicação das leis migratórias precisa respeitar o devido processo legal. Ele também demonstrou preocupação com casos em que pessoas presas ou detidas não tiveram acesso oportuno a orientação jurídica. Ele pediu uma investigação independente sobre o aumento no número de mortes sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE). Segundo ele, foram registradas 30 mortes em 2025 e outras seis até agora neste ano. Türk condenou o que chamou de desvalorização rotineira de migrantes e refugiados nos Estados Unidos, retratados como criminosos ou um peso para a sociedade, afirmando que isso aumenta a “exposição deles à hostilidade xenofóbica e a abusos”.