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Alvo de Trump por causa da Groenlândia, Dinamarca é aliada histórica dos EUA e mandou tropas a Iraque e Afeganistão

Em Davos, Trump diz que 'ninguém pode defender Groenlândia como os EUA' Desde que iniciou sua nova campanha para a anexação da Groenlândia pelos EUA, o pre...

Alvo de Trump por causa da Groenlândia, Dinamarca é aliada histórica dos EUA e mandou tropas a Iraque e Afeganistão
Alvo de Trump por causa da Groenlândia, Dinamarca é aliada histórica dos EUA e mandou tropas a Iraque e Afeganistão (Foto: Reprodução)

Em Davos, Trump diz que 'ninguém pode defender Groenlândia como os EUA' Desde que iniciou sua nova campanha para a anexação da Groenlândia pelos EUA, o presidente dos EUA, Donald Trump, não tem poupado críticas à Dinamarca. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Em seu discurso em Davos, na quarta-feira (21), ele chamou o país de “ingrato” e disse que a Europa como um todo “não está indo na direção correta” ao tomar o lado de Copenhague na disputa. Mais tarde no mesmo dia, Trump afirmou que negocia um acordo com a Otan - a aliança militar do Ocidente. A mais recente rixa entre os dois países oculta, no entanto, uma forte aliança militar e estratégica forjada e mantida desde a Segunda Guerra Mundial. Uma das reclamações que Trump costuma repetir em relação aos países da Otan é a falta de apoio dos parceiros em relação aos interesses americanos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião com o secretário-geral da Otan, em 21 de janeiro de 2026 REUTERS/Jonathan Ernst "O problema com a OTAN é que estaremos lá por eles, 100%, mas não tenho certeza se eles estarão lá por nós. Eles não estão lá por nós em relação à Islândia, disso eu tenho certeza. Nossa bolsa de valores sofreu a primeira queda ontem por causa da Islândia. Então, a Islândia já nos custou muito dinheiro", disse Trump em Davos, na quarta, num momento em que confundiu Groenlândia com Islândia ao falar de improviso. A crítica de Trump pode ser vista com desconfiança pelos dinamarqueses. Depois dos ataques do 11 de Setembro de 2001 aos EUA, a Dinamarca foi um dos países que mais se engajou na chamada Guerra ao Terror promovida por Washington. Após a invasão americana do Afeganistão, a Dinamarca enviou cerca de 9.500 combatentes para apoiar a ação militar no país asiático. Destes, 43 morreram. Na campanha de invasão ao Iraque, 500 militares dinamarqueses foram despachados para lutar ao lado dos EUA, 3 dos quais não voltaram. “A Dinamarca, em termos per capita, perdeu mais soldados nas guerras do Afeganistão e do Iraque apoiando os Estados Unidos do que os Estados Unidos. A Dinamarca é um dos maiores aliados dos Estados Unidos e isso já há muitas décadas”, disse Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF, ao podcast O Assunto da última terça (20). Segunda Guerra A aliança entre EUA e Dinamarca foi forjada em meio à Segunda Guerra Mundial. Até então, Copenhague tinha uma política externa baseada na neutralidade – opção exercida no caso da Primeira Guerra Mundial, por exemplo. Tudo mudou em 1940, porém, quando as tropas de Adolf Hitler marcharam sobre a Dinamarca em 9 de abril, quebrando um acordo de não agressão firmado no ano anterior. A ocupação alemã fez a Dinamarca perceber que a neutralidade não oferecia, necessariamente, a garantia de que não seria agredida. Foi nessa época também que se estabeleceu a presença militar dos EUA na Groenlândia. A ilha, já então território dinamarquês, adquiriu uma importância estratégica no teatro de operações da Segunda Guerra. Sabendo disso, os EUA fecharam um acordo com o embaixador dinamarquês em Washington, passando por cima do governo-fantoche dos nazistas em Copenhague, para montar bases aéreas na Groenlândia. Foi assim que surgiu, em 1941, a Base Aérea de Thule, hoje rebatizada como Base Aérea Pituffik. Navio dos EUA na Groenlândia durante a Segunda Guerra Mundial Arquivo Nacional dos EUA Em 1946, os EUA chegaram a oferecer US$ 100 milhões à Dinamarca, a fim de comprar a ilha. Também cogitaram trocar terras ricas em petróleo no Alasca por partes estratégicas da ilha ártica. A venda não foi concretizada. Mas Estados Unidos acabaram ficando com as bases militares que desejavam. De qualquer forma, passada a guerra, a Dinamarca abandonou sua política de neutralidade e em 1949 tornou-se um dos 12 membros fundadores da Otan, aliança criada para deter o avanço da esfera de influência da União Soviética. O país desempenhou um papel estratégico novamente na Guerra Fria devido à sua localização, controlando estreitos no Mar Báltico e no Atlântico Norte. A localização da Groenlândia, perto do Polo Norte, também era importante por sua proximidade ao território soviético. (veja infográfico abaixo) ‘Devolução’ Durante o discurso em Davos, Trump disse que os EUA foram “estúpidos” de devolver a Groenlândia em 1945, após a Segunda Guerra Mundial. Demos a Groenlândia de volta para a Dinamarca, que ideia estúpida. E olha o quão ingratos eles são agora", disse. Não chegou a haver uma devolução de fato, como Trump alega, já que a ilha sofreu uma ocupação militar, e não foi reivindicada como território americano em nenhum momento. Durante seu discurso em Davos, Trump também afirmou que não pretende usar a força para anexar a Groenlândia, mas insistiu na compra do território e manteve o tom de ameaça aos aliados europeus. Ele alega que a Europa é incapaz de manter a segurança da ilha e reivindica o território como parte essencial de um “Domo de Ouro”, um sistema de proteção militar que seria semelhante (embora muito maior) ao Domo de Ferro israelense. Horas depois do discurso, Trump afirmou que estabeleceu com a Otan a estrutura de um futuro acordo envolvendo a Groenlândia . A declaração foi feita após uma reunião com o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte. Infográfico mostra a posição estratégica da Groenlândia Editoria de Arte/g1