Em nota à imprensa, Polícia Civil do RJ diz que identificou R$ 100 mil em 'créditos suspeitos' para o vereador Salvino
A Polícia Civil do Rio divulgou uma nota, no início da tarde desta sexta-feira (13), a respeito da prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD) por indícios de...
A Polícia Civil do Rio divulgou uma nota, no início da tarde desta sexta-feira (13), a respeito da prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD) por indícios de ligação com o Comando Vermelho. Segundo a corporação, além dos diálogos em que o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, e um homem identificado como síndico da Gardênia citam o nome do vereador, os investigadores dizem ter localizado créditos considerados "suspeitos e/ou atípicos" para Salvino, que somam mais de R$ 100 mil – incluindo 11 depósitos feitos em dinheiro vivo. Segundo a polícia, as investigações também identificaram movimentações consideradas suspeitas envolvendo empresas que têm como sócio o principal assessor de Salvino. Segundo a polícia, a esposa desse assessor aparece como possível figura central de uma estrutura usada para lavagem de dinheiro. De acordo com a investigação, em 7 meses ela teria realizado mais de 20 saques em espécie que somam cerca de R$ 2,5 milhões, muitos deles em dias consecutivos. Além disso, uma empresa registrada em nome da esposa do assessor movimentou mais de R$ 35 milhões em pouco mais de 2 anos, valor considerado incompatível com o faturamento declarado, de cerca de R$ 2 milhões. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça A TV Globo entrou em contato com a Prefeitura do Rio e aguarda um posicionamento. A assessoria do vereador Salvino Oliveira afirmou que a nota oficial da Polícia Civil amplia as circunstâncias consideradas confusas sobre a prisão do parlamentar ao descrever diversas condutas criminosas sem identificar os acusados e sem atribuir responsabilidades específicas a cada um. Segundo a assessoria, a polícia afirma possuir um Relatório de Inteligência Financeira (RIF), mas o documento não faz parte do processo que decretou a prisão. A defesa diz desconhecer a existência do relatório e afirma que isso violaria o direito à ampla defesa. “É informação absolutamente inverossímil que Salvino Oliveira tenha realizado qualquer movimentação deste vulto ou tenha qualquer relação com empresa, fintechs ou lavagem de dinheiro.” Após a divulgação da nota, a TV questionou a Polícia Civil sobre por que o assessor do vereador e a mulher dele não foram alvos de prisão ou de busca e apreensão e por que deles não aparecem no inquérito enviado ao Ministério Público e à Justiça. A corporação respondeu apenas que a investigação está em andamento e que, por isso, não pode divulgar mais informações. Preso em operação Nesta tarde, a Justiça soltou o vereador depois da defesa entrar com um pedido de habeas corpus no fim desta quinta-feira (12). Ele estava preso desde quarta-feira (11), após a Polícia Civil deflagrar a Operação Contenção Red Legacy, contra a estrutura nacional do CV. Vereador Salvino Oliveira na porta do presídio de Benfica, ao ser solto nesta sexta-feira (13) Reprodução/TV Globo O delegado Vinicius Miranda, titular da Delegacia de Combate ao Crime Organizado do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro, afirmou que a prisão de Salvino foi solicitada após a polícia encontrar uma "série de indícios" de ligação dele com o Comando Vermelho. Sem citar as provas, o delegado afirmou que "maiores detalhes serão apurados na investigação". "Esses indícios foram apresentados na Justiça, que entendeu que havia prisão temporária para que se buscasse até mais elementos, mais provas, para que se entendesse melhor qual seria a participação exata dele dentro da facção", disse Miranda. Miranda explicou ainda que novos detalhes devem surgir a partir das buscas realizadas nesta quarta-feira (11), incluindo a análise de documentos e do celular apreendido. De acordo com ele, o material pode ajudar a estabelecer de forma mais precisa a relação do vereador com a organização investigada. Nas redes sociais, o governador Cláudio Castro afirmou que Salvino é o "braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio". O vereador negou todas as acusações (veja o que ele disse abaixo nesta reportagem). Em um vídeo publicado nas redes sociais após a prisão do vereador, o prefeito Eduardo Paes afirmou que, caso as suspeitas sejam confirmadas, defende punição. “Vou ser o primeiro a cobrar punição e exigir que a Justiça seja feita. Aqui não se passa mão em cabeça de quem faz coisa errada”, afirmou. O prefeito também criticou o que chamou de uso político das forças de segurança e afirmou que aliados do governo do estado já foram alvo de investigações por ligação com o crime organizado. As acusações contra Salvino O vereador carioca Salvino Oliveira (PSD) Reprodução/TV Globo No pedido de prisão, a Polícia Civil afirma ter identificado “tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico”, com o objetivo de transformar esses territórios em bases eleitorais. Segundo a corporação, as investigações indicam que o vereador Salvino Oliveira teria buscado autorização do traficante Doca para fazer campanha na comunidade da Gardênia Azul, área dominada pelo Comando Vermelho. “Segundo os elementos reunidos pela investigação, o vereador Salvino Oliveira teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, autorização para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, área sob domínio do Comando Vermelho”, afirmou a polícia no pedido de prisão. Entre as provas apresentadas está a imagem de uma conversa no WhatsApp que mostraria um diálogo entre um comparsa conhecido como Dom e Doca. No documento, no entanto, não há registro de conversa direta entre Salvino e o traficante. Na mensagem, Dom escreve a Doca: "Chefe, acabou de me ligar o Landerson, sobrinho da Tia Márcia, falando que o Pé e você autorizaram o Salvino a trabalhar e que é para eu dar suporte e ajudar nos projetos dele. Procede?" Conversa interceptada e usada como prova contra Salvino no pedido de prisão Reprodução/TV Globo Logo depois da troca de mensagens, Doca liga para Dom, e os dois permanecem ao telefone por mais de 11 minutos. Segundo a polícia, Dom atuava como elo entre o núcleo operacional do Comando Vermelho e agentes externos, incluindo policiais. Dom foi executado em maio de 2025 e a principal suspeita é de queima de arquivo. O g1 apurou que a polícia acredita que a própria facção esteja por trás do crime. Quiosques em contrapartida, segundo a investigação De acordo com a investigação, em troca da autorização para entrar na comunidade, o vereador teria articulado benefícios ao grupo criminoso, apresentados publicamente como ações voltadas para moradores da região. O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que Salvino se comunicava com o comando da facção por meio de Dom, que era conhecido como “síndico” da associação local. Segundo Curi, o parlamentar teria atuado para liberar parte dos quiosques construídos na Gardênia Azul. “Foram construídos alguns quiosques, cerca de 100, se não me engano, e metade desses quiosques, 50 desses quiosques, teve um processo completamente publicizado”, disse o secretário. De acordo com as investigações, a definição de parte dos beneficiários teria sido feita diretamente por integrantes da facção, sem processo público transparente. O que diz Salvino Salvino negou qualquer ligação com o traficante Doca, afirmou não ter envolvimento com a instalação de quiosques na Gardênia Azul e disse não conhecer o sobrinho do traficante Marcinho VP. “Estou sendo vítima de uma briga política que não é minha”, declarou. Já a defesa de Márcia Nepomuceno afirmou que as acusações divulgadas contra ela são infundadas e não têm comprovação. Segundo os advogados, Márcia já havia sido alvo de outra operação, mas acabou absolvida pela Justiça, decisão que foi mantida após recurso do Ministério Público. A defesa também disse que ela é servidora concursada, ré primária e tem patrimônio comprovado. Os advogados destacaram ainda que Márcia criou os filhos sozinha e que nenhum deles tem envolvimento com atividades criminosas. Por fim, afirmaram confiar que a Justiça esclarecerá os fatos. LEIA TAMBÉM: PMs presos em operação contra o CV forjaram apreensão de drogas após acordo com chefe da facção, diz investigação Nota da Câmara de Vereadores do Rio "A Câmara do Rio acompanha o desenrolar dos fatos e se coloca à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários. O Legislativo municipal reafirma sua confiança no trabalho das instituições e no devido processo legal."