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Na véspera da assinatura de acordo com Mercosul, Lula recebe líder da União Europeia no Rio

Agricultores jogam batatas em praça na Bélgica contra acordo UE-Mercosul O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe nesta sexta-feira (16) no Paláci...

Na véspera da assinatura de acordo com Mercosul, Lula recebe líder da União Europeia no Rio
Na véspera da assinatura de acordo com Mercosul, Lula recebe líder da União Europeia no Rio (Foto: Reprodução)

Agricultores jogam batatas em praça na Bélgica contra acordo UE-Mercosul O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe nesta sexta-feira (16) no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. A reunião ocorre um dia antes da assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia em Assunção, no Paraguai, no sábado (17). O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também iria ao encontro, mas, segundo apuração da TV Globo, não chegará a tempo. A agenda é vista como uma estratégia para consolidar o papel do Brasil como maior negociador do acordo entre Mercosul e União Europeia. Há a previsão de uma declaração conjunta. O objetivo é garantir que o anúncio político do tratado ocorra em território brasileiro. 👉🏽 Para a diplomacia brasileira, essa reunião terá um peso superior à cerimônia em Assunção. O presidente quer garantir uma "foto da vitória" com as maiores autoridades da UE. Além disso, evita dividir o palanque com o presidente argentino, Javier Milei, com quem mantém uma relação protocolar e distante. Enquanto os presidentes da Argentina, Uruguai e Paraguai confirmaram presença no evento de sábado, o Brasil será representado apenas pelo chanceler Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores. O governo brasileiro minimiza a ausência de Lula e critica o que classifica como um "movimento político" do Paraguai. Segundo o governo, os paraguaios tentaram elevar o encontro ao nível de chefes de Estado de última hora. A avaliação do Itamaraty é a de que a competência dos chanceleres, e o ato de sábado será apenas uma formalidade após o selo político dado por Lula no Rio. Apoio ao multilateralismo Em artigo publicado no jornal "Estado de S. Paulo", nesta sexta (16), Lula defendeu que o acordo reitera a possibilidade de uma nova governança mundial em resposta ao isolamento. "Não existe economia isolada", afirmou. "A celebração desse acordo só é possível porque Mercosul e a União Europeia entenderam ter muito mais a ganhar juntos do que individualmente e optaram por dialogar em condições de respeito e igualdade", diz o presidente, no artigo. "Os blocos encontraram convergências mesmo diante de visões distintas, mostrando que a cooperação é muito mais vantajosa e eficaz do que a intimidação e o conflito. Agradecemos aos países do Mercosul e da União Europeia por terem se empenhado na conclusão de acordo tão significativo", prosseguiu. Presidente Lula em reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen Ricardo Stuckert/PR Costura com a Itália A viabilização do acordo com a aprovação europeia passou por uma costura direta entre Lula e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Fontes do governo disseram que, em uma ligação no fim de 2025, pouco antes da cúpula de Foz do Iguaçu, Meloni confessou a Lula viver um "embaraço político" com agricultores italianos à época e pediu paciência ao presidente brasileiro. O pedido de adiamento feito pela italiana foi o que permitiu ao governo da Itália alinhar-se à Alemanha e à Espanha, isolando a resistência da França, do presidente Emmanuel Macron, e garantindo que o texto chegasse pronto para a assinatura nesta semana. ’Maior acordo comercial do mundo’, diz chanceler O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, afirmou, em entrevista à GloboNews, que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia pode ser considerado o maior acordo comercial do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de habitantes nos dois blocos e representando cerca de 15% do PIB mundial. “Esse acordo é muito importante, é considerado o maior acordo comercial do mundo, e se não for o maior é um dos maiores. E associando duas regiões que têm muitas coisas em comum, têm história em comum, têm cultura em comum, têm uma grande aproximação comercial tradicionalmente”, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Brasil. Vieira destacou ainda a representatividade do grupo que surge com a integração entre os dois blocos e como isso também desperta o interesse de outros países em ampliar as relações comerciais com o Brasil. “Esse novo grupo que está nascendo é um grupo muito representativo porque, dos sete membros do G7, três são membros da União Europeia e participarão desse acordo. E há outros três que são Japão, Canadá e Reino Unido, que não são membros da União Europeia, mas que já manifestaram o interesse de discutir um acordo comercial também com o Brasil”, ressaltou o ministro. Apesar das críticas feitas antes da conclusão do acordo, o chanceler brasileiro afirma que as vantagens serão uma via de mão dupla. “Esse acordo vai trazer muitas vantagens, vai permitir que se importe também, além de se exportar manufaturados para a União Europeia, nós vamos poder importar bens de capital que vão produzir mais eficientemente, de forma mais barata no Brasil, máquinas, equipamentos. Eu acho que o acordo, e todas as análises levam a essa conclusão, de que o acordo é benéfico para os dois lados”, completou o ministro.