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Parlamento Europeu congela acordo comercial com EUA em retaliação às ameaças de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 14 de janeiro de 2026 REUTERS/Evelyn Hockstein O Parlamento Europeu decidiu nesta terça-feira (20) congelar o...

Parlamento Europeu congela acordo comercial com EUA em retaliação às ameaças de Trump
Parlamento Europeu congela acordo comercial com EUA em retaliação às ameaças de Trump (Foto: Reprodução)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 14 de janeiro de 2026 REUTERS/Evelyn Hockstein O Parlamento Europeu decidiu nesta terça-feira (20) congelar o acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos no ano passado, informou a presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu (Grupo S&D), Iratxe García Pérez, segunda maior bancada da Casa. A medida é uma resposta às recentes ameaças do presidente americano, Donald Trump, relacionadas à anexação da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Nesta semana, Trump anunciou que pretende aplicar uma tarifa de 10% contra oito países europeus caso se oponham ao plano dos EUA de comprar a ilha. "A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos Estados Unidos da América. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%", disse o presidente em uma publicação no Truth Social. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Também nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificou a estratégia americana como “chantagem” e afirmou que ameaças tarifárias estão sendo usadas para forçar “concessões injustificáveis”. Barrot declarou apoio à suspensão do acordo e disse, ainda, que a Comissão Europeia dispõe de “instrumentos muito poderosos” para responder às ações de Washington. Pelo tratado firmado em julho do ano passado, os EUA impuseram tarifas de 15% à maioria dos produtos europeus, enquanto a União Europeia concordou em retirar parte de suas taxas sobre importações americanas. O acordo, no entanto, só começaria a vigorar entre março e abril deste ano, após a aprovação formal do Parlamento Europeu e dos governos do bloco. Com a suspensão do acordo, a UE volta a colocar na mesa uma possível imposição de tarifas retaliatórias aos EUA — que chegariam ao montante de 93 bilhões de euros (cerca de R$ 580 bilhões) — e uma possível restrição do acesso de empresas americanas ao bloco europeu. Nesta terça-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que eventuais tarifas ou pressões entre EUA e UE seriam um erro estratégico. Por que Trump quer adquirir a Groenlândia? Nas últimas semanas, o presidente americano intensificou as iniciativas para anexar a Groenlândia. Isso porque, além de a ilha do Ártico ser considerada uma rota marítima estratégica para o comércio global e a exploração de matérias-primas críticas, Trump também a considera crucial para a construção do chamado Domo de Ouro — escudo antimísseis que ele deseja erguer para proteger os EUA. "Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!", escreveu o republicano em uma publicação nas suas redes sociais na semana passada. Em resposta às declarações de Trump, países europeus anunciaram o reforço da segurança na região, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo da Dinamarca. Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda afirmaram estar comprometidos com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da Otan. O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu. A crise também provocou protestos populares. Milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e de Copenhague no sábado para criticar a intenção de Trump de anexar o território. Pessoas participam do protesto "Tirem as mãos da Groenlândia", realizado após a Casa Branca afirmar que os EUA estavam considerando uma série de opções para adquirir a ilha. Ritzau Scanpix/Emil Helms via Reuters