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PF e MPRJ cumprem mandados contra a milícia de Juninho Varão; vereador de Nova Iguaçu é alvo de buscas

PF e MPRJ cumprem mandados contra a milícia de Juninho Varão A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) iniciaram nesta quinta-...

PF e MPRJ cumprem mandados contra a milícia de Juninho Varão; vereador de Nova Iguaçu é alvo de buscas
PF e MPRJ cumprem mandados contra a milícia de Juninho Varão; vereador de Nova Iguaçu é alvo de buscas (Foto: Reprodução)

PF e MPRJ cumprem mandados contra a milícia de Juninho Varão A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) iniciaram nesta quinta-feira (20) a Operação Fora de Ordem, contra a milícia de Juninho Varão, que age na Baixada Fluminense e impõe, com violência, o monopólio de internet e de botijões de gás. A investigação identificou movimentações financeiras atípicas superiores a R$ 350 milhões, com base em relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Agentes saíram para cumprir 23 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa do TJRJ, na capital e em Nova Iguaçu. Um dos alvos é o vereador de Vagner Mateus dos Santos, o Vaguinho Neguinho (PRD), candidato a deputado estadual. A TV Globo tenta contato com a defesa dele. Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros, o sequestro e a indisponibilidade de bens. Um dos endereços era um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Segundo a PF, o objetivo da ação desta quinta-feira é “desarticular uma organização criminosa armada com influência territorial e econômica na Baixada Fluminense” e “desmantelar estruturas supostamente utilizadas para a ocultação de recursos provenientes das atividades ilícitas investigadas”. De acordo com a investigação, o grupo de Varão age desde 2013 em bairros de Nova Iguaçu e municípios vizinhos, “valendo-se de domínio territorial, poder intimidatório e violência” para explorar atividades econômicas, como o monopólio de internet e da comercialização de gás. “A investigação aponta, ainda, para uma estrutura compartimentada, com divisão de tarefas entre núcleos de comando, financeiro, operacional, territorial e político, além de indícios de vínculos com agentes públicos e de possível infiltração da organização criminosa no aparato estatal.” Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa armada, extorsão e lavagem de capitais. Vagner Mateus dos Santos, o Vaguinho Neguinho Reprodução PM morto era alvo Outro alvo na investigação era o policial militar reformado Marcos Antônio Cortinas Lopez, morto a tiros na Barra da Tijuca em fevereiro de 2025. Esse crime passou a ser investigado pela PF. Lopez estava em uma BMW X6 nas imediações do Vogue Square, quando, segundo testemunhas, bandidos bateram na traseira do carro da vítima. Quando o ex-PM desceu do carro para ver o que tinha acontecido, foi atacado por homens de moto. Os assassinos fugiram, e a vítima morreu na hora. Em 2002, quando estava lotado no 14º BPM (Bangu) e era soldado, Lopez foi homenageado com uma moção de congratulações e aplausos na Assembleia Legislativa (Alerj) por ter participado de uma apreensão de armas e drogas na comunidade Santo André, em Bangu, Zona Oeste. Anos depois, o PM reformado se tornaria sócio majoritário de uma empresa de telefonia registrada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em 2020, Lopez chegou a ser preso em flagrante pelo crime de receptação qualificada. O ex-PM foi detido em uma operação organizada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (Draco). Ele estava em liberdade quando foi morto. Na sede da Vip Rio Telecomunicações LTDA, em Senador Camará, Zona Oeste, os agentes apreenderam R$ 500 mil em equipamentos de distribuição de serviços de telefonia desviados de empresas de grande porte do setor. Com faturamento mensal avaliado em R$ 200 mil, a empresa fornece serviços de distribuição de sinal de internet, telefonia e TV a cabo para mais de 3 mil clientes na Zona Oeste do Rio, reduto da maior milícia do estado. Quem é Juninho Varão? Juninho Varão é o apelido de Gilson Ingrácio de Souza Junior. Segundo investigações da Polícia Civil, do MPRJ e da Polícia Federal, ele lidera uma organização criminosa com atuação principalmente em Nova Iguaçu, com influência também em áreas de Queimados e municípios vizinhos da Baixada Fluminense. Ele é apontado como chefe do grupo conhecido como Bonde do Varão, investigado por crimes como constituição de milícia privada, extorsão e lavagem de dinheiro. Varão foi integrante da milícia de Ecko (Wellington da Silva Braga), um dos maiores chefes paramilitares do RJ. Após a morte de Ecko, em 2021, e a posterior fragmentação da estrutura comandada por Danilo Tandera, Varão ganhou espaço e assumiu o controle de áreas da Baixada. As investigações atribuem à organização de Juninho Varão o controle territorial de comunidades por meio de intimidação e violência, além da exploração de atividades econômicas em áreas dominadas. Entre os negócios investigados aparecem: cobrança de taxas de moradores e comerciantes; exploração do serviço de internet; comercialização de gás; extorsões e outras cobranças ilegais. Uma investigação do Gaeco/MPRJ divulgada em 2024 apontou que o Bonde do Varão teria movimentado cerca de R$ 10 milhões entre 2022 e 2023. Juninho Varão é tratado pelas autoridades como foragido e alvo de mandados judiciais. Diversas operações recentes tiveram como objetivo atingir sua estrutura financeira e operacional, além de prender integrantes apontados como seus homens de confiança. Gilson Ingrácio de Souza Junior, o Juninho Varão Reprodução