Supercomputador em Petrópolis ajuda a entender enzima metálica inédita que pode converter resíduos agrícolas em energia
Enzima inédita descoberta transforma resíduos agrícolas em energia Reprodução LNCC O Supercomputador Santos Dumont, em Petrópolis, na Região Serrana do R...
Enzima inédita descoberta transforma resíduos agrícolas em energia Reprodução LNCC O Supercomputador Santos Dumont, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, está ajudando no avanço de uma pesquisa que ajuda a entender o potencial de uma nova enzima na conversão de resíduos agrícolas, como bagaço de cana, palha de milho e aparas de madeira, em biocombustíveis e outros produtos sustentáveis. O equipamento permitiu simulações detalhadas da estrutura e funcionamento da proteína, trabalho que segue em 2026, segundo informação divulgada nesta terça-feira (9) pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), onde o supercomputador está instalado. O estudo sobre a descoberta da enzima, com a ajuda do supercomputador, foi publicado em março de 2025 na revista científica Nature. Agora, o objetivo é entender melhor o funcionamento e as aplicações da enzima metálica, nunca antes descrita. 📱 Siga o canal do g1 Região Serrana no WhatsApp. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "A equipe segue avançando em novas simulações com essa enzima, utilizando o supercomputador Santos Dumont, e aguarda com grande expectativa os próximos resultados, que podem ampliar ainda mais o entendimento de seu mecanismo e potencial biotecnológico", disse a instituição, contando que o trabalho dos pesquisadores ocorre remotamente. A pesquisa foi liderada pelo cientista Mario T. Murakami, do Laboratório Nacional de Biorrenováveis, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), e contou com a participação de pesquisadores do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), Universidade de São Paulo (USP) e instituições internacionais como Aix-Marseille University e Technical University of Denmark. Enzima inédita Os cientistas descobriram um microrganismo capaz de degradar biomassa vegetal e identificaram uma enzima metálica inédita. Segundo os estudos, diferente de outras enzimas que quebram a celulose de forma aleatória, essa oxida a extremidade do polímero, liberando ácido celobiônico, componente que pode ser usado na produção de biocombustíveis e outros bioprodutos. A estrutura da proteína é complexa: uma parte produz o peróxido de hidrogênio necessário para a reação, enquanto outra, com íon de cobre, realiza a oxidação da celulose. Potencial para biocombustíveis Para testar a aplicação industrial, os pesquisadores inseriram o gene da enzima em um fungo já usado na indústria. O resultado foi aumento significativo na liberação de açúcares a partir da biomassa pré-tratada, etapa essencial na produção de etanol celulósico e outros biocombustíveis avançados. Segundo os cientistas, a descoberta pode ampliar o aproveitamento de resíduos agrícolas no Brasil e no mundo, ajudando a produzir energia renovável e produtos de alto valor. Pesquisa com apoio do supercomputador Santos Dumont identifica proteína capaz de gerar açúcares Santos Dumont / Divulgação LNCC