Trump considera 'todas as opções' para impedir 'massacre' no Irã, diz embaixador em reunião do Conselho de Segurança da ONU
EUA preparam bases militares no Oriente Médio para possível ataque contra o Irã O Conselho de Segurança da ONU se reuniu nesta quinta-feira (15) para tratar...
EUA preparam bases militares no Oriente Médio para possível ataque contra o Irã O Conselho de Segurança da ONU se reuniu nesta quinta-feira (15) para tratar da situação do Irã, diante do aumento de tensões do país com os Estados Unidos. O encontro foi realizado a pedido do governo Trump. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Durante a reunião, o embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, reforçou que o país apoia "o povo corajoso do Irã" e que Trump "deixou claro que todas as opções estão sobre a mesa para impedir o massacre". "O presidente Trump é um homem de ação, não de conversa fiada como vemos nas Nações Unidas", disse Waltz na reunião. Ainda no encontro, Waltz rejeitou as alegações do Irã de que os protestos são "uma conspiração estrangeira para dar início a uma ação militar". "Todos no mundo precisam saber que o regime está mais fraco do que nunca e, portanto, está propagando essa mentira devido ao poder do povo iraniano nas ruas. Eles estão com medo. Eles têm medo do próprio povo", disse Waltz. Já o vice-embaixador do Irã na ONU, Gholamhossein Darzi, disse que o Irã não busca confronto e acusou Waltz de recorrer "a mentiras, distorção dos fatos e uma campanha deliberada de desinformação para ocultar o envolvimento direto de seu país em incitar a violência". "No entanto, qualquer ato de agressão – direto ou indireto – será respondido de forma decisiva, proporcional e legal", disse ele ao Conselho de Segurança. "Isto não é uma ameaça; é uma constatação da realidade jurídica". A Rússia, através de seu embaixador Vassily Nebenzia, acusou os EUA de convocarem a reunião para "justificar a agressão flagrante e a interferência nos assuntos internos de um Estado soberano" e de ameaçarem "resolver o problema iraniano da sua maneira preferida: por ataques destinados a derrubar um regime indesejável". A alta funcionária da ONU, Martha Pobee, afirmou que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, "apela a todos os intervenientes para que se abstenham de quaisquer ações que possam levar a mais perdas de vidas ou desencadear uma escalada regional mais ampla”. “Em alto e bom som, repetidamente, ouvimos os iranianos erguerem suas vozes por uma vida melhor”, disse a embaixadora da Dinamarca na ONU, Christina Markus Lassen, ao Conselho de Segurança. “Por muito tempo, os líderes em Teerã ignoraram esse apelo. Chegou a hora de o governo do Irã finalmente ouvir, de responder à vontade de seu povo por meios pacíficos. Exortamo-los a começar hoje". Possibilidade de ataque Teerã e Washington enfrentam uma nova escalada de tensões após o governo norte-americano sugerir a possibilidade de um ataque ao país do Oriente Médio. A ameaça ocorre em meio à onda de manifestações que se espalha pelo Irã. Teerã afirmou que irá retaliar qualquer ofensiva militar. Desde 28 de dezembro, milhares de pessoas marcham nas principais cidades iranianas contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. Os protestos começaram diante da insatisfação popular com a situação econômica do país. Nos últimos dias, o presidente Donald Trump tem sinalizado que os Estados Unidos podem interferir nos protestos. No sábado (10), o norte-americano afirmou que o Irã está “buscando a liberdade” e disse que os EUA “estão prontos para ajudar”. Três dias depois, ele pediu que os manifestantes continuassem nas ruas e declarou que “ajuda está a caminho”, sem detalhar o significado da afirmação. A imprensa americana afirmou que Trump tende a atacar o Irã e que uma operação militar é considerada mais provável do que improvável. Na terça-feira (13), em tom de ameaça, Trump disse que poderia adotar “medidas muito duras” caso o Irã começasse a executar manifestantes. A declaração ocorreu após uma ONG denunciar que um jovem de 26 anos detido nos protestos seria enforcado. Depois da fala do presidente, a organização afirmou que a execução foi adiada. Na quarta-feira (14), a agência Reuters informou que os Estados Unidos começaram a retirar parte dos funcionários de bases militares estratégicas no Oriente Médio como medida de precaução. “Todos os sinais indicam que um ataque dos EUA é iminente, mas esse é o comportamento desta administração para manter todos em alerta. A imprevisibilidade faz parte da estratégia”, disse um militar à Reuters. Dois funcionários europeus ouvidos pela agência afirmaram que uma operação militar dos EUA poderia ocorrer dentro de 24 horas. Uma autoridade de Israel disse que Trump aparentemente optou pela intervenção militar, mas que o tamanho da operação era incerto LEIA TAMBÉM: Repressão brutal, 1ª execução e ameaças de Trump: entenda a escalada dos protestos no Irã SANDRA COHEN: Khamenei debilitado, jovens nas ruas e Trump: por que esta onda de protestos no Irã difere das anteriores? Por que o Irã é tão importante no cenário internacional? Onda de protestos no Irã Bruna Azevedo/Editoria de Arte g1 VÍDEOS: mais assistidos do g1